A vereadora Marielle Franco (Psol) foi morta, na noite desta quarta-feira, a tiros na Rua Joaquim Palhares, no Estácio. O motorista que estava com ela também foi morto na ação. Ela também estava acompanhada da assessora Fernanda Chaves, que sobreviveu.
No local foram encontrada 8 cápsulas. A informação da polícia e testemunhas é que um carro teria emparelhado com o da vereadora e abriram fogo fugindo sem levar nada, deixando somente a hipótese de execução. A janela do banco de trás, onde Marielle estava ficou completamente destruída.
Mulher negra, moradora da Maré, ela foi a quinta vereadora mais votada do Rio nas eleições de 2016 e havia nesta noite acabado de sair de um evento chamado "Jovens Negras Movendo as Estruturas", parte da programação de 21 dias contra o racismo.
MESTRADO SOBRE UPP E MILITÂNCIA CONTRA A ATUAÇÃO DA PM
A vereadora se formou pela PUC-Rio, e fez um mestrado em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com o tema: “UPP: a redução da favela a três letras”. Marielle trabalhou em organizões como a Brasil Foundation e o Centro de Ações Solidárias da Maré (Ceasm). Coordenou a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), ao lado de Marcelo Freixo.
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| O deputado Marcelo Freixo chora no local do crime |
Mariele era conhecida também pelas suas denúncias contra atuação policial e por chamar o 41º BPM/RJ de "Esquadrão da Morte", além de estar historicamente envolvida nas lutas por direitos humanos, especialmente em defesa dos direitos das mulheres negras e moradores de periferias.
Na noite anterior, Mariele havia publicado nas suas redes sociais "Mais um homicídio de um jovem que pode estar entrando para conta da PM. Matheus Melo estava saindo da Igreja. Quantos mais vão precisar morrer para que esta guerra acabe?" (@Marielle Franco)
A anistia internacional em nota pede que o Estado através de seus órgãos garanta investigação imediata e rigorosa sobre o caso. Para esta quinta-feira (15) já está marcado uma Marcha em homenagem à Marielle.
O Psol soltou uma nota lamentando a morte da vereadora e exigindo apuração "imediata e rigorosa", colocando-se do lado dos familiares e amigos, definindo como "momento de dor e indignação" e reafirmando seu orgulho pela vereadora e ativista.
Marcelo Crivella do PRB também lamentou o acontecido, veja a nota completa:
"É com profundo pesar que lamentamos o brutal assassinato da vereadora Marielle Franco cuja honradez, bravura e espírito público representavam com grandeza inigualável as virtudes da mulher carioca. Sua trajetória exemplar de superação continuará a brilhar como uma estrela de esperança para todos que, inconformados, lutam por um Rio culto, poderoso, rico, mas, sobretudo, justo e humano. Em cada lar uma prece, em cada olhar uma lágrima e em cada coração um voto de tristeza, dor e saudade. É assim que hoje anoitece a cidade desolada e amargurada pela perda de sua filha inesquecível e inigualável. Que Deus a tenha!"
Por MARCOS ANTONIO



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