O que elas são? Por qual motivo elas aparecem justamente dias antes da eleição para presidente da câmara de vereadores? O que está por trás disto?
Antes de mais nada, que fique claro que:
Não tenho conluio com políticos. Não escrevo esperando patrocínio de Grupo A ou B. Não ponho minha mão no fogo por nenhum destes. Não pretendo produzir jornalismo, a proposta é justamente produzir o diferente: análises da conjuntura da política local.
A política de Açailândia está em um momento delicado. Queda de braço. Jogo de xadrez. Troca de tiros. E pensando bem, delicado não seria a palavra correta. Estamos mesmo em um momento mais "agressivo".
Vejamos os porquês:
1) O Governo de Juscelino Oliveira e seus aliados tem conquistado o desgosto e a impopularidade tão rapidamente quanto a decepcionante gestão de Gleide Santos (2013-2015).
Só no ano de 2017 e início de 2018, Juscelino ganhou para coleção manifestações dos mais diversos tipos e causas (Moradores, taxistas, servidores, etc.) e a ineficiência foi reforçada com a demora para atender estes movimentos, para dar respostas às reivindicações, resultando no aumento do descontentamento popular. Em "O príncipe", Maquiavel, o grande filósofo político italiano do Século XVI, torna muito transparente a explicação que aqui exponho, como se nos dissesse hoje "É melhor ter o povo do seu lado" a fim de garantir a estabilidade, função máxima pela qual a política existe na lógica de Maquiavel.
Concluímos que se a administração está afundando é culpa de sua própria ineficiência, do "não saber gerir" a máquina pública.
2) Nas últimas semanas, o governo tem sido constantemente abalado com as denúncias, dúvidas e reclamações acerca, principalmente, das condições físicas degradantes em que se encontram atualmente as escolas do município. Não preciso dizer que a avaliação caiu, né? Aliás, fica cada vez mais óbvio que perderam as rédeas, perderam o controle e que a administração agora é um avião em queda livre em que todos tentam se safar, agarrando-se desesperadamente em possíveis soluções para seus problemas.
E enfim chegamos à terceira parte.
3) Uma das estratégias que serve no momento de refúgio para eles é: atacar o atual presidente da câmara, o vereador Josibeliano Sousa Farias, conhecimento como Ceará.
De um lado, a prefeitura e sua tropa de choque, na ocasião servindo como pelotão de fuzilamento, tática de ataque em massa em que toda a mídia açailandense passa a falar do mesmo assunto tendo a mesma pessoa como alvo de suas críticas.
A primeira delas veio na metade da semana passada, a mais ou menos 8 dias. Um tiro para matar dois coelhos: Tirar o foco do assunto do momento na cidade que era a questão das escolas ao mesmo tempo que colocava ali no palco da corrupção um outro personagem, o vereador Ceará, exatamente uma semana antes da eleição para presidente da câmara.
Como está o cenário?
O prefeito só está bem nas mídias. Não está bem nas ruas, e na câmara, está em maus lençóis. Ceará, o vereador, consolidou-se como força política na casa de leis e tem maioria dos vereadores do seu lado para a eleição do dia 01º de março (quinta-feira).
Alguns dizem que ele deve vencer com um placar de 9x8, outros, dizem que o Placar vai ser 10x7 a favor do Ceará.
O outro candidato à presidência da casa é o vereador Ancelmo (PPS) que no passado exerceu a função de presidente da câmara dos vereadores, repetindo a eleição de 2016, vencida por Ceará com o apoio do G10, grupo de 10 vereadores novatos na casa.
De que acusam?
Foram três acusações amplamente divulgadas por vários sites da cidade.
Primeiro foi o mercadinho em que o Presidente da Câmara gastou mais de 300 mil reais, incluindo a compra [absurda] de utensílios obsoletos como o "disquete", em extinção com o advento dos pendrives, cartões de memórias e até do armazenamento em nuvem. Quem ainda usa disquete?
Depois dessa, uma segunda denúncia atribui ao Ceará o gasto de 7 milhões de reais com a câmara municipal sem nenhuma transparência e com o apoio de 8 vereadores - Soma aí: Ceará + 8 = 9, a maioria que precisa para vencer uma eleição lá na casa na quinta-feira. - e que este dinheiro utilizado sem a devida transparência poderia estar servindo para manter esta base eleitoral de 8 vereadores que em troca lhe dão apoio irrestrito.
Confesso que senti até uma pontada de inveja por parte dos governistas.
Na terceira ocasião, ontem, dia 27, a nova bomba é sobre o veículo do vereador Ceará, uma Hilux que se encontra com mandado de busca e apreensão a pedido da Caixa Econômica Federal, com quem o vereador esqueceu de quitar suas dívidas. O mandado judicial é de setembro de 2016.
Carta na manga
Nenhuma das acusações parece momentâneas. Nenhuma delas surgiu ao longo desta semana. Tudo estava guardado, preparado, é claramente o jogo de quem joga com cartas na manga, de quem prevendo a derrota parte para o ataque. Por qual motivo? A ideia é fazer os vereadores se arrependerem de apoiar Ceará, recuando como prova de sua idoneidade. E isto é tão importante agora para a gestão que se encontra por um fio.
Veja bem, Ceará foi responsável por receber um dossiê com denúncias do SINTRASEMA e existe a possibilidade de ser aberta uma CPI - Comissão Parlamentar de Inquérito - para investigar as queixas apresentadas no dossiê contra o prefeito municipal.
Agora resta saber... quem vai cair primeiro? Quem vai garantir nocaute?
Por MARCOS ANTONIO, Graduando em Ciências Sociais e Ciência Política


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