Talvez em um minuto de delírio, Collor, aquele que foi o primeiro presidente eleito no retorno à Era Democrática no Brasil, e por ironia do destino - ou por predestinação do jogos vorazes de nossa política à la House Of Cards, a famosíssima séria da NetFlix - também foi o primeiro a sofrer impeachment por suspeita de corrupção. Aquele que até o momento não foi citado por ninguém, em nenhuma pesquisa, como pré-candidato, e que raras pessoas poderiam dizer que imaginavam este senhor como candidato.
Mas a política é feita dessas reviravoltas.

O anúncio foi feito hoje em um evento em Arapiraca, interior de Alagoas - mesma cidade que sua ex-esposa é prefeita - e à uma emissora da família dele mesmo. Ele venceu as eleições de 1989 e foi presidente entre 1990 e 1992, atualmente é senador e está filiado ao PTC e sente que tem vantagem sobre outros candidatos por ter presidido o país em outra ocasião.

Histórico político
Fernando Collor começou sua vida política em 1979 na ARENA - o partido dos militares na ditadura - e foi declarado prefeito de Maceió pelo governador Guilherme Palmeira. Foi eleito deputado federal em 1982 pelo PDS - o mesmo ARENA com nome diferente - votando a favor das Diretas Já em 84 e depois, em 85 apoiou Paulo Maluf para presidente no Colégio Eleitoral. Filiou-se ao PMDB - oposição à ditadura - e tornou-se governador do Alagoas em 1986 derrotando Guilherme Palmeira, apoiado pelo então presidente José Sarney, o mesmo "cara" que 8 anos antes abriu as portas da sua carreira política. Saiu do PMDB e foi para o PRN, tendo Itamar Franco como vice, o candidato conservador daquele ano que venceu as eleições com a interferência direta da Rede Globo.

Após o impeachment, Collor passou anos inelegível e retornou ao cenário político em 2002 como candidato ao governo do estado do Alagoas, ficando em segundo lugar. Em 2006 foi eleito senador pelo PRTB e logo depois migrou para o PTB, com o qual disputou o governo do Alagoas em 2010 e foi derrotado ainda no 1º turno. Em 2014 foi reeleito senador e em 2016 deixou o PTB e se filiou ao PTC (Partido Trabalhista Cristão) com o qual deve disputar as eleições neste ano. 

O seu mandato de senador termina somente em 2022, então mesmo que seja derrotado agora nessas eleições, deve pelo menos viabilizar seu nome com maior força política ou alternativa para 2022 e retornará ao senado para prosseguir o mandato por mais quatro anos.

--- Se foi um delírio, 2018 será um ano delirante. Collor vem para aumentar a lista de pré-candidatos. Quais deles estarão firmes nas eleições? 

Por Marcos Antonio