Não é segredo para ninguém: Jair Bolsonaro, que em agosto assinou um compromisso de filiação com o PEN/Patriota, traiu o termo e a esperança dos correligionários do PEN, que inclusive mudaram a sigla para Patriota só para receber o “mito”. E sabe por qual motivo ele fez isso? Por que em suas negociações com o partido, especialmente com o presidente Adilson Barros não conseguiu obter as vantagens e moldar o partido à sua imagem e semelhança.
Assinou um compromisso, pois caso deixe o seu atual partido, o PSC, poderia perder o mandato por infidelidade partidária e esperava a janela partidária, ou seja, o momento em que a justiça autoriza os deputados com mandato a trocar de partido sem perder o mandato.
Publiquei isto em minha página do Facebook no mês passado. Bolsonaro não quer mais estar em um partido, isso é passado pra ele. Ele quer um partido que esteja sob seu supremo e total controle. É um negócio pessoal, para quem ainda não entendeu, para transformar o político no “Mito”. Precisa estar alocado em um partido que seja tão seu, tão a sua cara, quando o REDE é da Marina.
Jair recuou de sua pré-candidatura pelo PEN quando de repente o diálogo sobre o controle do partido começaram a lhe dar muita dor de cabeça e passou a exercer pressão para que Adilson Barroso, fundador e presidente do PEN, garantisse que suas viagens pelo país seriam financiados pelo fundo partidário e mais ainda, que o controle desse dinheiro fosse seu. Não é que no Patriota faltava garantia que Jair Bolsonaro fosse candidato, esta foi a mentira mais ridícula que disseram. É claro que ele seria o candidato do Patritota, não há ninguém naquele partido que tenha potencial algum para disputar.
Não só essas dificuldades administrativas impostas pelo partido, mas o tamanho do caixa partidário, que não chega aos 5 milhões de reais, foram dificuldades que se chocaram com outra ainda mais preocupante, o tamanho do partido nestas eleições irá influenciar diretamente no tempo de campanha eleitoral gratuita de cada candidato e no PEN, Bolsonaro não teria mais do que 10 segundos de campanha.
Em uma de suas entrevistas, Adilson Barroso explicou que a família Bolsonaro pediu o diretório estadual de cinco estados mais cinco cargos na executiva nacional, “depois pediram mais cinco, mais cinco e já estavam em 23 estados. Isso não é bom porque tinha gente há anos filiada ao partido, e com isso, deputados já queriam sair. Por último pediram a presidência nacional”, a reação de Adilson Barroso foi a de quem quer proteger o que é seu. Os Bolsonaros estavam tomando-lhe o partido.
O que é diferente com Luciano Bivar, também fundador e presidente do PSL? Luciano Bivar estava em decadência dentro do seu próprio partido, estava perdendo o controle da sigla que criou para outros filiados do movimento LIVRES, “entregar” o partido à Bolsonaro é, sem dúvida alguma, a mesma prática de defesa de sua posse que Adilson Barroso fez, só que ao inverso já que sua situação era diferente. Enquanto que o presidente do PEN não podia abandonar o partido que ele controla, Bivar sentia que logo, logo estaria no escanteio do PSL.
No PSL – que também deve mudar o nome para receber Bolsonaro – o pré-candidato a presidência da república aposta também no controle da maioria do diretório nacional, o que deve dar a ele o controle sobre as finanças do partido e até mesmo das alianças nos estados. No dia do anúncio do “casamento” [político] entre o PSL e o Bolsonaro, Luciano Bivar negou que a aliança tenha sido firmada sobre condições, afirmou ainda “Foi uma convergência de pensamentos, de um Brasil mais enxuto, diminuição do Estado, simplificação dos impostos, economia de mercado”.
O presidenciável vai encontrar no PSL algumas dificuldades que fizeram-no sair da negociação com o último partido, tem pouco de TV e o fundo do partido não passa dos 6 milhões, um pouquinho melhor do que o outro, mas nem tanto, só para ter ideia, o atual partido de Jair Bolsonaro, o PSC, tem o fundo partidário de 15 milhões de reais, quase 3 vezes maior do que o do PSL e deve acreditar especialmente que a militância de seus eleitores nas redes sociais, que segundo pesquisa do Datafolha no dia 1º são os que mais utilizam internet e redes socais.
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Por Marcos Antonio

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